#ficaadica

Durante as minhas pesquisas semanais descobri esse blog aqui: http://veganapelosanimais.blogspot.com.br/, que traz várias informações sobre a questão da exploração animal. Além de textos e dados, tem dicas de vídeos, campanhas publicitárias, documentários, livros, etc. Pra quem se interessa pela causa vale a pena dar uma acessadinha.

Já pra quem é apreciador da boa comida, vale visitar o http://dabocapradentro.wordpress.com/ o blog da meu queridíssimo amigo/irmão Douglas Téo, um dos responsáveis pelo abandono do meu eu carnívoro. Aqui vocês vão encontrar divagações e receitas veganas e vegetarianas deliciosas. Tudo temperado com bom humor e ótimo senso crítico.

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A lógica capitalista da crueldade

Um dos motivos que me fez deixar de comer carne, e que cada vez mais me leva para uma redução do consumo de produtos de origem animal, é o processo brutal ao qual a indústria submete porcos, galinhas, bois, vacas e outros bichos. Além das condições grotescas com que são obrigados a sobreviver para satisfazer um hábito alimentar dito natural, esses animais ainda tornam-se vítimas da lógica capitalista da cruedade.

Hoje descobri a cânula ruminal, uma técnica digna das eras medievais e que, sob a carapuça da ciência e da tecnologia, vai ajudar a indústria da carne a ganhar mais dinheiro. O processo dá, literalmente, acesso permanente ao estômago de vacas e outros bichos, com o objetivo de analisar processos nutricionais e maximizar a produção de carne e de leite.

Ou seja, não bastasse a quantidade de bichos mortos a cada dia e todas as consequências para a saúde e para o meio ambiente já causadas por esse tipo de consumo, eles ainda encontram maneiras de tornar o processo mais penoso para os animais. As imagens falam por si só, mas quem quiser conhecer um pouco mais da técnica, tem informações em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-70542009000700060

As complicações desse método são variadas, de lesões na pele até a desidratação e desnutrição devido ao vazamento do líquido ruminal. Achou um absurdo? Lembra disso no próximo churrasco!

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Risotto de aspargo com toque de limão

O almoço de hoje não poderia ter sido mais saboroso. Boa companhia e um risotto de aspargo com toque de limão. Em meio as provas a serem corrigidas a ao calor abafado que faz em Chapecó, foi um suspiro fresco no dia.

Ingredientes: 2 xícaras e meia de arroz, 1 cebola grande, dois dentes de alho, cheiro verde, um maço de aspargos, manjerição, suco de 3 limões, sal e azeite de oliva a gosto. Queijo é opcional.

Preparo:  Frite a cebola, o alho e o aspargo. Quando a cebola estiver começando a ficar dourada,  acrescente o arroz e frite por mais um ou dois minutos, sempre mexendo para não grudar. Acrescente água, sal a gosto e deixe cozinhar. Um pouco antes de desligar, coloque o cheiro verde, o manjerição e queijo em cubos (caso você não seja vegano). Depois de desligar é a vez do suco de limão. Sirva em seguida.

OBS: Alimenta bem três pessoas sem café da manhã com almoço servido as 14h.

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Dias veganos em São Paulo

Encontrar o Douglas e a Vanessa é sempre uma comoção. Dias intensos de muito amor e gritaria, regados ao melhor da cozinha vegana. Cada refeição, do café da manhã ao jantar, passando por almoços e brunchs, é um verdadeiro composto de saborosos ingredientes e diálogos afiados.

Os anos de amizade, que tanto nos fizeram conhecer uns aos outros, permitem não apenas a profundidade dos mais belos existencialismos, mas as alegrias das mais deliciosas sabotagens. A arte de jogar verdades na cara se mistura com a arte da boa culinária, sempre preparada com um imenso respeito pelas composições de gustativas e estéticas.

Uma deliciosa geléia de amoras com suco natural de tangerina, preparada entre confissões de amor profundo, tem um sabor todo diferente. Pesto de salsa, azeitonas temperadas, alcachofra com macadâmias, tomates com abobrinha e cebola ao forno, batatas fatiadas, abacalhoada de soja e outros quitutes tornaram os dias que estive em São Paulo muito mais saborosos.

Tudo isso, sem nada de origem animal. Momentos à mesa que vão deixar saudades no coração e um vazio no estômago. Para resolver esse problema, o jeito é ir para cozinha recriar alguns pratos para manter viva a memória. Para quem quiser me acompanhar, deixo abaixo as receitas repassadas pelo Douglas, do pesto e da geléia, carinhosamente apelidada de ximia.

-Mas por favor, dos dois lados do pão, porque os dentes de baixo também gostam de doce!

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Pesto de salsa: Um maço de salsa, um limão siciliano, macadâmias tostadas, sal, pimenta e muito azeite extra virgem. Bate tudo e vai ser feliz.

A ximia, irmã colona da geléia: Amoras batidas com açúcar e suco de tangerina natural. Leve ao fogo com um toquinho de cardamomo.

China veg e delícia no velho sacana em Porto Alegre

Na rápida passagem por Porto Alegre tive a chance de reencontrar uma amiga de tempos, a Didi, que está vegetariana o dobro de tempo que eu, ou seja, pouco mais de seis meses. Saímos para almoçar e ela me levou ao Casa Oriental, um restaurante chinês ovolactovegetariano muito simpático, que fica a rua Felipe Camarão, 61. Lugar simples e comida muito saborosa, principalmente o rolinho primavera, que tem de diversos sabores.

Durante a refeição dividimos alguns dos dramas e das delícias do estar vegetarianos. Assim como para mim, o motivo da nova conduta alimentar dela deve-se a uma maior consciência das dinâmicas que envolvem o consumo da carne e também do direito dos animais. Para ela, o ponto crucial foi a leitura do livro “Comer animais”, de Jonathan Safran Foer, que o Douglas já tinha me indicado. Já peguei emprestado com ele e devo começar a ler em breve, assim que a temporada de provas e trabalhos acadêmicos terminarem. Depois, comento aqui.

A noite, no embalo dos reencontros, fui com outra amiga querida, a Iza, para o Dirty Old Man, um barzinho todo cheio de clima, inspirado no escritor maldito Charles Bukowski, que eu adoro. Quem quiser conferir, tem o site: http://www.dirtyoldman.com.br/ Entre as opções de sanduíches tem o Pipe, que é preparado em pão baguete integral com aveia, carne de soja e quinua, mix de cogumelos, ricota temperada, tomates, pesto e picles de cebola. Leve e gostoso. Dá sustentação para mais um chope sem tirar aquela tonturinha gostosa adquirida nos anteriores.

Charles Bukowski

No fim, Porto Alegre, conhecida pela tradição gaúcha do churrasco, reservou bons momentos de cozinha vegetariana. Lógico que isso se deve muito mais a um novo olhar dado por mim sobre a cidade, contudo, é confortante saber que, pelo menos em alguns espaços de interação gastronômica, existe a delicadeza de se pensar em outros públicos. Espero voltar em breve para continuar a incursão, tanto dos reencontros como dos sabores.